STARMER RECEBE ZELENSKY EM DOWNING STREET PARA ENCONTRAR A RECONCILIAÇÃO COM TRUMP E SALVAR A NATO

Keir Starmer cumprimentou Volodymyr Zelensky com um abraço à porta de Downing Street, após o tenso encontro do presidente ucraniano com Donald Trump. O confronto na Sala Oval suscitou preocupação a nível mundial, com receios de que possa ameaçar a unidade da NATO.

Starmer está a posicionar-se como uma ponte entre Trump e os líderes europeus, tendo falado com os dois homens após o confronto. Um porta-voz do governo disse que o primeiro-ministro está a trabalhar para “encontrar um caminho para uma paz duradoura”.

Entretanto, o chefe da NATO, Mark Rutte, pediu a Zelensky que restabelecesse os laços com Trump, classificando o encontro na Casa Branca como “infeliz”. Rutte enfatizou a importância de manter relações fortes com a liderança americana.

Trump está alegadamente a considerar a possibilidade de suspender a ajuda militar à Ucrânia, o que poderia congelar milhares de milhões de dólares em armas e recursos. O Washington Post citou um alto funcionário da Casa Branca, sugerindo que essa decisão poderia entrar em vigor imediatamente.

A multidão reuniu-se à porta do número 10 para apoiar Zelensky, que chegou com o seu pólo preto com o tridente militar da Ucrânia. No interior, Starmer garantiu-lhe o apoio inabalável do Reino Unido: “Estamos ao lado da Ucrânia durante o tempo que for necessário. Uma paz duradoura, baseada na soberania e na segurança, é crucial para a Ucrânia, a Europa e o Reino Unido”.

Zelensky expressou a sua gratidão ao Reino Unido e ao Rei Carlos pelo seu apoio inicial e contínuo. Após uma hora de conversações, saiu de Downing Street, com Starmer a acenar-lhe.

À porta fechada, espera-se que Starmer e Zelensky elaborem estratégias sobre questões diplomáticas e militares. Amanhã, Starmer vai receber os líderes europeus em Downing Street para discutir a supervisão de um futuro acordo de paz na Ucrânia, que ele acredita que deve incluir os EUA.

Zelensky também se encontrou com o Rei Carlos, pouco depois de Starmer ter endereçado um convite do monarca para a segunda visita de Estado de Trump. Trump respondeu chamando o rei de “um bom homem”.

Em Washington, a discussão acalorada de Zelensky com Trump e o vice-presidente JD Vance centrou-se nas condições do cessar-fogo com a Rússia. Trump ameaçou retirar todo o apoio a menos que a Ucrânia concordasse com os seus termos, enquanto Vance acusou Zelensky de falta de gratidão pelos cerca de 100 mil milhões de dólares em ajuda dos EUA. Zelensky contra-atacou mostrando imagens da devastação da guerra e sublinhando o seu apreço.

O dramático confronto na Sala Oval passou nos ecrãs da televisão mundial, chocando os diplomatas. Desde então, Zelensky lançou uma ofensiva de charme, afirmando que os Estados Unidos “ajudaram a salvar” a Ucrânia e reafirmando a sua esperança de “relações fortes” com Washington.

Reconheceu o “diálogo difícil”, mas afirmou que a Ucrânia e os EUA continuam a ser “parceiros estratégicos”. No entanto, instou os EUA a apoiarem mais firmemente a Ucrânia, avisando que, sem o apoio americano, o esforço de guerra tornar-se-ia significativamente mais difícil. “Não podemos perder a nossa vontade, a nossa liberdade ou o nosso povo”, afirmou.

 

Fonte: Jornal "As Notícias"