TRUMP ENTRA EM GUERRA COM ZELENSKY COM QUEM TROCA ACUSAÇÕES E QUESTIONA O APOIO DE GUERRA À UCRÂNIA

O atual presidente dos EUA, Donald Trump, lançou uma crítica mordaz ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, chamando-lhe “um comediante de sucesso modesto” e “um ditador sem eleições”. Os comentários foram feitos depois de Zelensky ter criticado Trump por espalhar a desinformação russa e sugerir que a Ucrânia era responsável pela invasão ilegal de Moscovo.

Na rede social ‘Truth Social’, Trump atacou Zelensky e o amplo apoio do governo Biden à Ucrânia, descrevendo a ajuda dos EUA como excessiva. “Pensem nisto, um comediante de sucesso modesto, Volodymyr Zelenskyy, convenceu os Estados Unidos a gastar US$ 350 bilhões para entrar numa guerra que não poderia ser vencida”, escreveu Trump. Acusou Zelensky de ter gerido mal a guerra, afirmando: “Morreram desnecessariamente MILHÕES de pessoas, e assim continua…”

Trump também afirmou que Zelensky tinha “feito o papel de Joe Biden como um violino”, acusando-o de recusar eleições e de ser impopular na Ucrânia. O antigo presidente reiterou as suas críticas, afirmando que “é melhor Zelensky agir rapidamente ou não lhe restará um país”.

Numa aparente rutura com a política americana de isolamento de Moscovo, Trump vangloriou-se da sua capacidade de pôr fim à guerra, afirmando que a sua administração estava a negociar uma resolução com a Rússia. Ele descartou a administração Biden e os líderes europeus como fracassados em alcançar a paz, alegando que Zelensky queria manter o “trem de molho” da ajuda dos EUA fluindo.

Zelensky, em resposta, defendeu a democracia ucraniana e a sua legitimidade como líder, citando uma sondagem do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev que mostrou que 57% dos ucranianos confiam nele. Zelensky recordou aos críticos que a Ucrânia está sob lei marcial desde a invasão russa em 2022, o que impediu a realização de eleições. Zelensky, que obteve uma vitória esmagadora com 73% dos votos em 2019, rebateu as alegações de Trump de baixos índices de aprovação e reiterou que substituí-lo em tempo de guerra desestabilizaria o país.

O presidente ucraniano também rejeitou a sugestão de Trump de que Kiev pague aos EUA com um acordo de exploração mineral de 500 mil milhões de dólares, chamando-lhe “uma conversa pouco séria”. Numa conferência de imprensa, Zelensky acusou Trump de ser influenciado pela desinformação russa e de minar a luta pela soberania da Ucrânia. “Respeito Trump e o povo americano, mas, infelizmente, ele vive neste espaço de desinformação criado por Moscovo”, disse Zelensky.

No meio da escalada das tensões, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, elogiou a abordagem de Trump, descrevendo as recentes negociações entre EUA e Rússia na Arábia Saudita como “um primeiro passo” para restaurar as relações. Putin acolheu as sugestões de Trump, incluindo o questionamento da legitimidade de Zelensky e o envolvimento da NATO, como consistentes com a narrativa do Kremlin.

Embora Putin tenha expressado otimismo quanto a uma resolução, sublinhou a necessidade de reconstruir a confiança entre a Rússia e os EUA para alcançar a paz. Ao mesmo tempo, as forças russas lançaram novos ataques contra a Ucrânia, atingindo Odesa com mísseis e danificando infra-estruturas críticas, incluindo uma clínica infantil e um jardim de infância.

As declarações de Trump também suscitaram críticas internacionais. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, recordou ao mundo que “ninguém, a não ser Putin, começou ou quis esta guerra”. Da mesma forma, as autoridades francesas expressaram confusão sobre a sugestão de Trump de que a Ucrânia partilhava a culpa pela guerra.

O ex-ministro conservador da Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, denunciou os comentários de Trump como sendo uma repetição dos argumentos do Kremlin. Ele sublinhou que Putin, e não a Ucrânia, era responsável pelo conflito. Jack Lopresti, um deputado britânico que presta serviço na Ucrânia, avisou que Putin não se deteria na Ucrânia se lhe fosse permitido prevalecer, apelando a uma maior unidade europeia para contrariar a ameaça russa.

Zelensky teme que as recentes conversações entre os EUA e a Rússia tenham excluído a Ucrânia e possam pressionar Kiev a aceitar um acordo de paz desfavorável. “Acredito que os Estados Unidos ajudaram Putin a sair de anos de isolamento”, disse Zelensky. Depois insistiu que a Ucrânia não comprometeria a sua soberania, afirmando: “Estou a proteger a Ucrânia. Não posso vendê-la”.

Apesar da pressão crescente, Zelensky reiterou a determinação da Ucrânia em se defender. “A Ucrânia resistiu ao mais terrível ataque militar da história moderna da Europa e a três anos de uma guerra total. Ninguém pode obrigar a Ucrânia a desistir”, afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha.

À medida que a guerra se aproxima do seu quarto ano, Zelensky continua a rejeitar as afirmações de que a Ucrânia é a culpada pelo conflito. Em vez disso, ele reforça  a necessidade de apoio internacional, rebatendo as afirmações de Trump e reforçando a luta da Ucrânia pela independência e pela democracia.

 

Fonte: Jornal "As Notícias"